Dr. Paolo Rogério de Oliveira Salvalaggio
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Atualizado em 10/08/2020

Cirrose: as principais complicações da doença

A cirrose é uma doença crônica que atinge o fígado. Ela evolui de forma lenta e silenciosa até ocasionar o mau funcionamento do órgão e a sua total falência. Se caracteriza pela formação de tecido de cicatrização no lugar das células hepáticas, podemos notar, por exemplo, a fibrose e nódulos.

Essas formações, conforme explicamos, tomam o lugar das células saudáveis do fígado e, por isso, aos poucos ele deixa de cumprir as suas funções. Sendo assim, quando a cirrose não recebe o devido tratamento, existe o risco de o fígado parar completamente, além de desenvolver diversas complicações.

Existem vários fatores que podem levar ao desenvolvimento da cirrose, como consumo excessivo de álcool, gordura no fígado (Esteatose) e as hepatites do tipo B e C. Esse problema ainda não tem cura, sendo que a solução definitiva apenas pode ser alcançada por meio do transplante de fígado. No entanto, alguns pacientes podem fazer o controle dos sintomas com a administração de medicamentos.

O seu diagnóstico precoce, bem como acompanhamento médico, é fundamental para manter a cirrose sob controle. Afinal, ela prejudica o fígado de diversas maneiras e pode afetar outras funções orgânicas. É sobre isso que falaremos a seguir. Continue lendo para descobrir quais são as complicações da cirrose e entender por que ela precisa ser tratada.

Ascite

É o acúmulo de líquido dentro da barriga. Também pode ser correlacionado a inchaço nas pernas e falta de ar pelo acúmulo de líquido no tórax, nesse caso, a condição recebe o nome de hidrotórax.

Peritonite bacteriana espontânea

O líquido acumulado na região abdominal pode sofrer alterações que levam a manifestação de uma infecção. Ela acontece de forma espontânea, ou seja, sem que seja diagnosticada uma causa secundária intraperitoneal, o que poderia ser uma víscera perfurada, por exemplo. Em alguns casos essa condição é assintomática, mas pode desencadear febre, dor abdominal.e infecções graves.

Encefalopatia hepática

Quando o paciente tem cirrose também pode acontecer de toxinas se acumularem no sangue ou atingirem o cérebro, porque o fígado não consegue removê-las. Essa condição leva ao mau funcionamento do sistema nervoso central, desencadeando anormalidades neuropsiquiátricas como mudança de personalidade, quadros de coma e até mesmo a morte do indivíduo. É possível perceber esse acúmulo de toxinas por meio:

  • da confusão mental;
  • problemas de concentração;
  • esquecimentos;
  • mudanças no padrão de sono;
  • perda dos cuidados pessoais.

Síndrome hepatorrenal

O mau funcionamento do fígado, conforme explicamos, pode atingir as funções de outros órgãos, e é isso o que acontece com os rins. Pacientes com condições clínicas graves podem apresentar uma deterioração rápida das função renal.

Câncer de fígado

Outra complicação severa da cirrose, quando não devidamente acompanhada e tratada, é o desenvolvimento de tumores no fígado. Isso significa que essa doença também favorece a manifestação do câncer hepático, problema que, entre outras terapias, costuma ser tratado com cirurgia ou transplante de fígado.

Por isso, uma das medidas iniciais quando a cirrose é diagnosticada é o rastreamento de possíveis tumores nos pacientes. Realiza-se exames como a dosagem alfafetoproteína e a ultrassonografia abdominal a cada seis meses.

É muito importante frisar que a cirrose é uma doença perigosa, uma vez que, como você viu, ela não pode ser de fato curada por terapias conservadoras e também traz complicações preocupantes para a saúde em geral do indivíduo. Portanto, o ideal é prevenir esse problema e fazer o acompanhamento periódico, caso esteja em um grupo de risco.

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