Dr. Paolo Rogério de Oliveira Salvalaggio
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Atualizado em 11/09/2020

Pancreatite: o que é?

O pâncreas fica localizado atrás do estômago na porção superior da barriga. É uma glândula que participa do processo digestivo dos alimentos, liberando para se juntarem à bile a fim de digerir os alimentos.

Também é o pâncreas que libera os hormônios glucagon e insulina na corrente sanguínea, para equilibrar a glicose ingerida por meio dos alimentos.

Neste artigo falaremos sobre a pancreatite, uma inflamação que afeta o pâncreas. Continue lendo para entender por que ela se manifesta, conhecer os seus diferentes tipos e formas de tratamento.

Sobre a pancreatite

Pancreatite é um processo inflamatório no pâncreas. Essa inflamação se manifesta, principalmente por pela formação de cálculos biliares e pelo consumo excessivo, prolongado e recorrente de bebidas alcoólicas. Existem dois tipos de pancreatite: a aguda e a crônica.

Pancreatite aguda

A pancreatite aguda é uma inflamação que acontece de forma súbita, sendo mais comum que ela se manifeste por cálculos biliares, pequenas pedras decorrentes de alterações na composição da bile. Elas inflamam o pâncreas quando passam pelo ducto biliar.

Esse processo inflamatório também está relacionado ao consumo de álcool, sendo que pode se manifestar poucas horas ou até 2 dias depois da ingestão de bebidas alcoólicas. Além disso, pode ser causado por infecções, trauma abdominal, alguns medicamentos, problemas genéticos do pâncreas e tumores.

Pancreatite crônica

No caso da pancreatite crônica, trata-se de uma inflamação com uma duração mais longa. Ela resulta da deterioração da estrutura do pâncreas, interferindo em suas funções. Essa deterioração não pode ser revertida.

O consumo excessivo e prolongado de álcool é apontado como principal causa da pancreatite crônica, juntamente com o tabagismo. Esse problema ainda pode ocorrer, mas com menos frequência, em decorrência de doenças genéticas como a fibrose cística e a pancreatite autoimune ou hereditária. A obstrução do ducto pancreático por cálculos também é uma das suas causas.

Sintomas e complicações da pancreatite

Em uma pessoa cujo organismo funciona perfeitamente, as enzimas liberadas pelo pâncreas são ativadas somente quando atingem o intestino delgado. No entanto, quando há uma inflamação nessa glândula, essas enzimas que se encontram em seu interior atacam e lesionam os tecidos responsáveis por produzi-las.

Por isso, tanto a pancreatite aguda quanto a crônica são condições perigosas para a saúde. De toda forma, a manifestação aguda dessa doença é preocupante porque pode fazer o paciente entrar em choque, havendo necessidade de ser tratado na unidade de terapia intensiva. Nas formas mais graves da doença, a glândula pode ficar infeccionada ou necrosada, sendo preciso fazer uma cirurgia para retirar esse material doente.

Outras complicações da pancreatite aguda são a desidratação e a pressão baixa. Também pode ocorrer falhas no funcionamento dos rins, coração e pulmões, além de hemorragia no pâncreas que, nesse caso, pode até mesmo levar o indivíduo à morte.

Por isso, é muito importante ficar atento aos sintomas que podem indicar uma inflamação em curso no pâncreas. Geralmente o indivíduo percebe uma dor na parte superior do abdômen, que pode irradiar para o dorso. Ela se manifesta de forma gradual ou súbita. No início é menos intensa, mas tende a ficar pior após a ingestão de alimentos e pode durar por dias.

Outros sintomas desencadeados pela pancreatite são:

  • sensibilidade abdominal;
  • distensão do abdômen;
  • febre;
  • náuseas e vômitos;
  • pulso acelerado.

É interessante saber que não existe uma medicação que seja capaz de combater a pancreatite. Assim, a intervenção é feita por meio da internação hospitalar para manter o paciente hidratado com soro por via intravenosa e mantendo jejum. É preciso repouso para que a inflamação regrida sozinha, o que acontece em cerca de 80% dos casos.

Porém, nos outros 20% a pancreatite evolui para sua forma mais grave, podendo acumular liquido ao redor do pâncreas, levar a alterações de outros órgãos como rins e pulmões, com risco importante de vida. Daí a importância de identificar esse problema ainda no começo e buscar o quanto antes ajuda médica.

Matenha hábitos saudáveis: adote uma dieta nutritiva e evite o consumo excessivo de álcool, bem como o tabagismo. Faça exames frequentes e em caso de diagnostico de pedra na vesícula procure um médico especialista.

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