Dr. Paolo Rogério de Oliveira Salvalaggio
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Atualizado em 10/08/2020

Entenda o que é o refluxo gastroesofágico e como evitá-lo

Depois de ingerir alguma bebida ou alimento, você já teve a sensação de que o conteúdo do estômago retornou ao peito ou garganta? Esse é um sintoma do refluxo gastroesofágico, um problema muito comum que pode acontecer com qualquer pessoa.

Em alguns casos, ele ocorre de forma esporádica em função de o estômago estar cheio demais, ou por causa do tipo de alimento que foi ingerido. Mas alguns indivíduos experimentam essa sensação constantemente, o que se caracteriza como uma doença que precisa de tratamento.

Preparamos este artigo para explicar para você o que é o refluxo gastroesofágico e quando ele exige atenção. Continue lendo para conferir, também, as suas principais causas e descobrir como evitá-lo.

O que é o refluxo gastroesofágico?

Esse problema se caracteriza pelo retorno do conteúdo do estômago, onde o alimento é digerido, para o esôfago, que é um tubo que conduz o alimento da garganta até estômago. Mais especificamente, o ácido estomacal fazem o caminho de volta pela garganta, podendo chegar até a boca.

O refluxo pode ocorrer de forma natural em bebês porque o seu sistema digestivo ainda não está totalmente desenvolvido. Porém, esse quadro se amenize com o passar do tempo e desaparece durante a infância ou adolescência. Este quadro pode depois retornar na vida adulta de forma esporádica ou ainda aparecer somente em adultos.

Conforme explicamos, podem acontecer episódios isolados de refluxo, que não se caracterizam como uma doença. A preocupação maior é com os indivíduos que manifestam refluxo gastroesofágico com frequência pelo menos semanal e com uma intensidade que interfere na sua qualidade de vida. Neste casos, o diagnostico a ser confirmado é da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

O problema acontece porque o esôfago não tem a mesma proteção que o estômago, sendo assim, os ácidos que atuam na digestão dentro do estômago agridem a camada mais interna do esôfago, daí surgem os sintomas desagradáveis como azia e a queimação.

Sem o devido tratamento podem surgir ulcerações no esôfago, bem como outras complicações como desgaste dos dentes e inflamações. Em casos mais graves, o refluxo pode favorecer a manifestação de câncer em função das agressões contínuas aos tecidos do esôfago.

Quais são as causas do refluxo gastroesofágico?

Nos casos recorrentes de refluxo gastroesofágico esse problema pode estar relacionado ao mau funcionamento de um músculo que funciona como porta de entrada do estômago, chamado esfíncter esofageano inferior (EEI). Este esfíncter funciona como uma válvula que precisa se abrir para os alimentos passarem e fechar logo em seguida. Quando não funciona direito, permite que os alimentos retornem do estômago para o esôfago.

Também pode acontecer de a musculatura do EEI sofrer fragilidade ou fraqueza. Sendo assim, ela não consegue exercer a pressão que deveria para garantir o bom funcionamento das estruturas e, com isso, apresenta uma flacidez que favorece o aparecimento da DRGE.

Outra causa possível é a hérnia de hiato, que consiste em uma maior abertura do músculo diafragma, na transição entre o tórax e o abdômen. Ocorre assim, uma frouxidão do EEI nesta região, facilitando a ocorrência de refluxo.

Pessoas obesas também podem desenvolver o refluxo gastroesofágico, porque o excesso de gordura abdominal aumenta a pressão no abdômen, pressiona o estômago e faz com que o refluxo aconteça. O mesmo ocorre com mulheres grávidas, que sofrem essa pressão em função do aumento de volume do útero. E também em outras situações de aumento da pressão intrabdominal como hiperplasia benigna da próstata e desenvolvimento de ascite.

Como o refluxo é tratado?

O refluxo gastroesofágico pode ter tratamento clínico ou cirúrgico. No primeiro caso é feita a administração de medicamentos que ajudam a reduzir a quantidade de ácidos estomacais e favorecem a motilidade dos tecidos, acelerando o esvaziamento gástrico.

O tratamento cirúrgico é adotado para os pacientes muito sintomáticos que não respondem bem à terapia clínica, não conseguem ficar sem medicação, ou nos casos de quadros mais graves de esofagite ou das complicações que podem surgir desta esofagite como estenoses ou o desenvolvimento de esôfago de Barrett. Vale lembrar que alguns portadores de esôfago de Barrett podem apresentar piora do mesmo gerando câncer de esôfago, pela exposição do esôfago constantemente a grandes quantidades de ácido.

Associado a tudo isso, é fundamental que o paciente promova algumas mudanças em seus hábitos alimentares, como minimizar o consumo de refrigerantes, chocolate, pimentas e condimentos, cigarro e bebidas alcoólicas. As refeições devem ser feitas de forma fracionada em pequenas porções.

A última refeição do dia precisa ser feita cerca de 3 horas antes de se deitar e o conforto pode ser maior mantendo a cabeça elevada pelo menos por 15 cm. Outra medida importante é a perda de peso corporal, caso o indivíduo apresente sobrepeso ou obesidade.

Além de ser um problema muito desconfortável, o refluxo gastroesofágico pode trazer grandes alterações na qualidade de vida, bem como o desenvolvimento de complicações graves, conforme explicamos. Sendo assim, é importante procurar a ajuda de um especialista e adequar os hábitos alimentares, para prevenir as crises recorrentes de refluxo e a manifestação de problemas maiores.

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